O Primeiro Escambo

"O menino estava eufórico, tinha achado um grandioso sapo no quintal. Era rechonchudo e preto. Devia pesar mais de meio quilo, tamanho o esforço que fazia para andar. E o menino não teve dúvidas: colocou-o dentro de um vidro de maionese. Para todo lugar que ia lá estava o sapo, escondido em seu bornal, junto às pedras e o estilingue.
O único problema era que a mãe do menino tinha verdadeiro pavor de batráquios. Chegava a ser uma batraquiófoba. O rapazinho sabia disso, e esforçava-se em ocultar o sapolino.
Madrugada quente, dessas em que o inferno eleva-se para atormentar humanos, o sapão resolveu cantarolar. E o coacho do desgraçado era tão grave e estridente que vibrava as finas louças na cristaleira da sala. O menino desesperado jogava minhoquitas goela dentro do barítono galeão, mas ele engolia muito rápido, voltando a cantar de imediato.
Não deu outra, a mãe descobriu o monstro de gila dentro do quarto, acordou o pai, fez escarcéu. Não admitiria um ogro fétido e asqueroso daquele, sob o mesmo teto. O pai, sem ver outra alternativa, jogou o bichano dentro do vaso sanitário do banheiro. A cena era dantesca: o imenso batráquio, girando feliz dentro da latrina, enquanto litros de água massageavam suas verrugas craquentas.
É óbvio que o menino teve de recolocar o sapolino dentro do pote de maionese. O desgraçado não passava pela boca do vaso sanitário. E lá iam menino, sapo e pai, de carro até a pontezinha do córrego que atravessava a cidade. Despediram-se sem cerimônias e largaram o tarugo rio afora. O menino estava triste, ficaria com saudades de seu bichinho de estimação.
Semanas passaram, ele ganhou um aquário de presente. Tinha três peixinhos dourados e um cascudo para limpar as pedras. Era uma singela troca que sua mãe oferecia: o aquário pelo sapo. Tempo se passou, o menino cresceu. Virou empresário importante. Tem o maior ranário da região. E sua mãe ainda faz a melhor coxa de rã empanada da cidade."
FONTE: http://www.opio.com.br
O único problema era que a mãe do menino tinha verdadeiro pavor de batráquios. Chegava a ser uma batraquiófoba. O rapazinho sabia disso, e esforçava-se em ocultar o sapolino.
Madrugada quente, dessas em que o inferno eleva-se para atormentar humanos, o sapão resolveu cantarolar. E o coacho do desgraçado era tão grave e estridente que vibrava as finas louças na cristaleira da sala. O menino desesperado jogava minhoquitas goela dentro do barítono galeão, mas ele engolia muito rápido, voltando a cantar de imediato.
Não deu outra, a mãe descobriu o monstro de gila dentro do quarto, acordou o pai, fez escarcéu. Não admitiria um ogro fétido e asqueroso daquele, sob o mesmo teto. O pai, sem ver outra alternativa, jogou o bichano dentro do vaso sanitário do banheiro. A cena era dantesca: o imenso batráquio, girando feliz dentro da latrina, enquanto litros de água massageavam suas verrugas craquentas.
É óbvio que o menino teve de recolocar o sapolino dentro do pote de maionese. O desgraçado não passava pela boca do vaso sanitário. E lá iam menino, sapo e pai, de carro até a pontezinha do córrego que atravessava a cidade. Despediram-se sem cerimônias e largaram o tarugo rio afora. O menino estava triste, ficaria com saudades de seu bichinho de estimação.
Semanas passaram, ele ganhou um aquário de presente. Tinha três peixinhos dourados e um cascudo para limpar as pedras. Era uma singela troca que sua mãe oferecia: o aquário pelo sapo. Tempo se passou, o menino cresceu. Virou empresário importante. Tem o maior ranário da região. E sua mãe ainda faz a melhor coxa de rã empanada da cidade."
FONTE: http://www.opio.com.br

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